Teoria sem qualquer respaldo científico ou governamental circula nas redes sociais associada a termos como “Agenda 2030” e reaproveita boatos parecidos já desmentidos em ocasiões anteriores.
Uma mensagem que circula em redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens afirma que estaria prevista uma interrupção global de energia e comunicações com duração de nove dias, marcada para o ano de 2026. A checagem realizada sobre o tema concluiu que é falso que exista qualquer previsão oficial de um apagão global de nove dias, já que a teoria surgiu em redes sociais e não possui respaldo técnico, científico ou governamental. Apesar disso, o boato segue circulando e ganhando novas versões conforme se espalha entre diferentes grupos. Boatos.org
O texto que embasa essa desinformação costuma vir carregado de termos vagos, criados para soar técnico e alarmante ao mesmo tempo, mas sem qualquer comprovação concreta por trás. Ao analisar o conteúdo das publicações, verificadores constataram que o texto carece de qualquer lastro factual, apoiando-se unicamente em teorias conspiratórias que circulam em fóruns e redes sociais, sem apresentar relatórios técnicos, comunicados oficiais ou estudos científicos que sustentem a alegação. Boatos.org
Por que esse boato não tem fundamento
A ausência de fontes confiáveis é o principal ponto que compromete a credibilidade dessa mensagem. Segundo a checagem, não existem registros em organismos internacionais, empresas do setor elétrico, governos ou instituições de pesquisa sobre qualquer protocolo global envolvendo interrupção coordenada de energia e comunicações, o que por si só já derruba a base da alegação. A narrativa costuma unir expressões como “Agenda 2030”, “silêncio dos governos” e “reinicialização do sistema” sem nunca detalhar de forma concreta como um evento desse porte poderia efetivamente ocorrer. Boatos.org
Esse tipo de construção textual é comum em boatos conspiratórios: misturar termos que soam técnicos ou institucionais com um discurso de urgência, criando a sensação de que existe algo sendo escondido do público. Na prática, porém, a ausência de qualquer fonte verificável, documento técnico ou posicionamento oficial de autoridades competentes já é suficiente para identificar esse tipo de conteúdo como desinformação, mesmo antes de qualquer verificação mais aprofundada.
Um boato reciclado diversas vezes ao longo dos anos
Uma característica interessante desse tipo de desinformação é sua capacidade de se reinventar com pequenas variações ao longo do tempo, mantendo a mesma estrutura central. Levantamentos mostram que o Boatos.org já havia desmentido uma tese parecida, que afirmava que o mundo teria um apagão de apenas dois minutos em agosto de 2026, além de uma publicação diferente alegando que a Nasa teria alertado para um apagão geral em março do mesmo ano. Boatos.org
Além dessas versões mais recentes, narrativas anteriores já tentaram emplacar a ideia de um apagão mundial de três dias com início na Europa, o que demonstra como esse tipo de boato costuma ser reciclado e adaptado conforme o contexto do momento, seja trocando a duração do suposto evento, seja alterando a data ou a região de origem. Esse padrão de reaproveitamento torna esse tipo de conteúdo especialmente resistente, já que mesmo depois de desmentido, ele tende a reaparecer meses depois com pequenas alterações que dificultam sua identificação imediata por quem já viu versões anteriores. Boatos.org
Como identificar e evitar a propagação desse tipo de boato
Diante da recorrência desse formato de desinformação, alguns cuidados simples ajudam a evitar que esse tipo de conteúdo continue se espalhando. O primeiro passo é desconfiar de qualquer alerta urgente sobre eventos globais catastróficos que não venha acompanhado de fonte oficial identificável, como comunicado de governos, agências internacionais reconhecidas ou grandes veículos de imprensa.
Também vale observar se a mensagem menciona termos vagos e genéricos, sem detalhes técnicos concretos sobre como o evento ocorreria na prática, já que esse é justamente o padrão identificado em boatos desse tipo ao longo dos últimos anos. Antes de compartilhar qualquer conteúdo alarmante recebido por aplicativos de mensagens, buscar o mesmo termo em ferramentas de checagem, como Boatos.org, Aos Fatos ou Lupa, costuma ser suficiente para confirmar se aquela informação específica já foi analisada e desmentida anteriormente.
O episódio do suposto apagão global reforça uma lição válida para qualquer conteúdo alarmista que circula pela internet: quanto mais grave e urgente parecer a informação, maior deve ser o cuidado antes de repassá-la adiante. Até o momento, nenhuma instituição governamental, científica ou do setor elétrico confirmou qualquer planejamento nesse sentido, o que reforça que se trata, mais uma vez, de um boato sem qualquer base factual, reciclado periodicamente para gerar engajamento e medo entre usuários desavisados.
Fontes: