A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) abriu uma consulta pública para discutir possíveis mudanças nas regras contra golpes de impersonação de empresas e órgãos governamentais. A iniciativa mira também o papel de redes sociais, mecanismos de busca e outros marketplaces digitais que oferecem ferramentas de segmentação, otimização e distribuição de anúncios.
O objetivo não é apenas responsabilizar quem cria uma publicidade falsa, mas avaliar se as próprias plataformas devem adotar medidas para reduzir a circulação de campanhas fraudulentas. A discussão ocorre diante do uso de anúncios pagos para dar aparência de legitimidade a mensagens que imitam bancos, empresas conhecidas, agências públicas e outros serviços reconhecidos pelo público.
Segundo o anúncio publicado pela Federal Trade Commission, a consulta busca receber contribuições sobre uma possível atualização da regra federal que trata da representação enganosa de governos e empresas. O prazo informado pela agência é de 60 dias após a publicação do aviso no Federal Register.
Como anúncios falsos podem ampliar golpes
Em golpes de impersonação, o criminoso tenta convencer a vítima de que está falando com uma organização real. Para isso, pode usar nomes, imagens, endereços digitais e elementos visuais semelhantes aos de uma instituição conhecida. Quando esse conteúdo é impulsionado por publicidade paga, a mensagem deixa de depender apenas do compartilhamento espontâneo entre usuários.
As ferramentas de publicidade digital permitem direcionar campanhas para públicos definidos por localização, interesses ou comportamentos de navegação. A consulta da FTC avalia se esses recursos podem ser explorados para aumentar a eficiência de anúncios fraudulentos e alcançar pessoas com maior probabilidade de acreditar na abordagem.
Uma publicidade que promete resolver um problema bancário, liberar um benefício ou evitar uma suposta penalidade pode levar o usuário a clicar em um link, fornecer dados pessoais ou realizar um pagamento. A aparência de anúncio oficial, combinada com a distribuição feita por uma plataforma conhecida, pode criar uma camada adicional de confiança antes mesmo de a vítima verificar a mensagem.
Medidas colocadas em discussão pela FTC
Entre os pontos avaliados estão procedimentos para verificar a identidade de anunciantes, acompanhar campanhas publicitárias e investigar anúncios considerados suspeitos. A agência também analisa a possibilidade de exigir respostas mais efetivas quando uma peça for confirmada como fraudulenta, incluindo a remoção do conteúdo e eventuais medidas contra os responsáveis.
A proposta ainda está em fase de consulta pública. Isso significa que a FTC está reunindo informações e argumentos antes de decidir se deve alterar a regulamentação e qual seria o alcance de uma eventual mudança. A abertura do processo, portanto, não representa a entrada imediata de uma nova obrigação para todas as plataformas digitais.
O documento formal da consulta, disponibilizado pela FTC em PDF, detalha o procedimento regulatório e os temas sobre os quais a agência pretende receber comentários. Empresas, especialistas e outras partes interessadas podem apresentar informações dentro do prazo estabelecido no aviso oficial.
Perdas com golpes de impersonação chegam a US$ 3,5 bilhões
A dimensão econômica do problema aparece em dados divulgados pela própria comissão. De acordo com a FTC em levantamento sobre 2025, consumidores relataram perdas de quase US$ 3,5 bilhões com golpes de impersonação ao longo do ano.
A agência também informou que aproximadamente 30% das pessoas que disseram ter perdido dinheiro em fraudes afirmaram ter sido inicialmente contatadas por meio de redes sociais. O dado não significa que todas essas ocorrências tenham começado em anúncios pagos, mas ajuda a mostrar como as plataformas sociais podem funcionar como ponto de contato entre golpistas e vítimas.
Para o usuário, a principal recomendação é evitar decisões tomadas sob pressão. Mensagens que exigem transferência imediata, solicitam senhas ou dados bancários, prometem vantagens incomuns ou ameaçam bloqueios devem ser verificadas diretamente nos canais oficiais da instituição citada, sem usar links ou telefones fornecidos no próprio anúncio.
O que muda para brasileiros
A consulta da FTC se aplica ao contexto regulatório dos Estados Unidos e não cria, por si só, uma regra válida no Brasil. Ainda assim, o tema interessa aos usuários brasileiros porque redes sociais, buscadores e marketplaces operam em diferentes países e podem veicular campanhas com aparência internacional.
Até que haja uma decisão da agência americana, não é possível afirmar quais plataformas serão obrigadas a adotar novas medidas ou quais sanções poderão ser aplicadas. O próximo passo é a análise das contribuições recebidas durante o período de consulta. A partir desse processo, a FTC poderá definir se seguirá com uma atualização da regra e como ela será implementada.